Confortável e com bom motor, hatch recebeu novidades estéticas e passou por redução de preço na linha 2014
por Guilherme Blanco Muniz
Com a entrada em vigor da lei que exige a instalação de freios ABS e
airbag duplo, a Fiat se despediu do clássico Mille e elegeu o Palio Fire
como responsável por ocupar a vaga de entrada da marca.
Com isso, o
hatch passou por sutis modificações estéticas e uma redução de preço.
Partindo de R$ 23.990 na versão duas portas e R$ 25.990 com quatro
portas, o carro é anunciado como o mais barato do Brasil. Mas, será que
vale a compra? Rodamos com o carro em trechos urbanos e a impressão que
fica é que o Palio Fire 2014 cumpre bem sua função nessas condições.
O conforto do interior é garantido pelos novos bancos com revestimento
de tecido e volante com boa empunhadura. No entanto, o novo quadro de
instrumentos com a angustiante função de econômetro (que diz se o modo
de condução está econômico) elimina o conta-giros, apesar do espaço de
sobra no painel. Os acabamentos internos não deixam a desejar, mas
quando o motorista começa a se animar com o conforto interno, tem que se
esticar sobre o banco do passageiro para ajustar o espelho retrovisor
lateral manualmente. Ponto negativo.
Em movimento
Ao dar a partida é que o Palio Fire mostra seu objetivo. Abastecido com
etanol, o motor 1.0 flex entrega 75 cv de potência a 6.250 rpm e 9,9
kgfm de torque, que são despejados aos 4.500 rpm. Tal combinação permite
ao hatch rodar em trechos urbanos sem deixar o motorista na mão em
ladeiras. A direção hidráulica (vendida como opcional por R$ 1.100)
agrada em manobras, mesmo com o carro em baixa velocidade, e os freios a
disco nas rodas dianteiras e a tambor na parte traseira cumprem bem sua
função, sem trancos nem sustos. É verdade que o câmbio manual de cinco
marchas poderia oferecer engates mais justos, mas não é algo que
prejudique a condução.
A suspensão oferece o tradicional conforto dos modelos da Fiat. Assim, é
possível trafegar pelo asfalto irregular das ruas brasileiras sem
grandes incômodos, mas a característica não privilegia curvas em alta
velocidade.
Se os espelhos retrovisores pecam pelos ajustes manuais, o excelente
campo de visão que oferecem contribui para o conforto da condução. Raros
são os momentos em que o motorista se vê obrigado a se posicionar de
maneira diferente no banco para conseguir visualizar pontos mais
distantes do carro, como em uma mudança de faixa, por exemplo.
Acessórios
Os dias ensolarados com recordes de calor podem passar despercebidos a
bordo do hatch italiano. Isso porque o sistema de ar-condicionado cumpre
mais do que bem seu papel e é capaz de gelar a cabine em pouco tempo.
Até os passageiros que gostam de temperaturas mais baixas podem precisar
aumentar a temperatura sistema para não passar frio. Isso, porém, é
luxo de quem topa pagar R$ 2.350 a mais pelo carro.
Outro item que não está presente na versão “pelada” é o rádio, que pode
ser adicionado por R$ 180. Apesar do visual bastante simples, o
aparelho também oferece leitor de MP3 com entrada USB no porta-luvas.
Espaço
Medindo 3,82 m de comprimento, 1,63 m de largura, 1,43 m de altura e
com 2,37 m de entre-eixos, o Palio Fire oferece bom espaço para o
motorista e o passageiro do banco dianteiro. Nos bancos de trás, os mais
altos podem sofrer em viagens mais longas. Isso porque, com o banco do
motorista ajustado para uma pessoa de pouco mais de 1,70 m, os joelhos
do passageiro do banco traseiro pressionam o encosto do assento. Quanto
ao porta-malas, apesar do acabamento simples, nada a reclamar quanto ao
espaço: enquanto o modelo de entrada da Fiat oferece bons 290 litros, o
Renault Clio e o Chevrolet Celta – modelos com preços de entrada
próximos aos do Palio Fire - oferecem 255 l e 260 l, respectivamente.
Mercado
Depois da aposentadoria dos antigos modelos sem airbag e ABS de série, a
categoria de veículos de entrada por menos de R$ 30 mil ficou com
poucos representantes. Competem com o Palio Fire, o Chery QQ (R$
23.990), o Renault Clio (a partir de R$ 24.450), o Nissan March (a
partir de R$ 27.990) e o Chevrolet Celta (a partir de R$ 28.990). Também
pesa na redução de opções o fato de que a Chevrolet parou de produzir a versão duas portas do hatch de entrada. Conforme a reportagem de Autoesporte
apurou, a montadora prioriza agora fabricar a versão com quatro portas,
mais procurada. Assim, o valor do Celta mais barato passou de R$ R$
25.990 para os R$ 28.990.
Apesar de ser vendido pelo mesmo preço do hatch de entrada da Fiat e
contar com mais equipamentos de série, como ar-condicionado e rádio com
leitor de MP3 e USB, o chinês QQ parece não ter caído no gosto do
consumidor brasileiro. Ao longo de todo o ano de 2013, a Fenabrave
registrou somente 3.109 emplacamentos do modelo, enquanto a Fiat vendeu
mais de 53 mil unidades do Novo Palio. Destas, cerca de 75% são da
versão com quatro portas, porcentagem que deve ser mantida na linha
2014. A briga fica um pouco mais apertada entre o Nissan March, que
vendeu 24.255 unidades em 2013, e o Renault Clio, com 29.199 unidades.
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